quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ALEX BYSPO



ALBINO
O feitiço da brancura

“Sete bandidos invadiram minha casa. Três ameaçaram minha família com (fuzis) Kalashnikov, enquanto os outros quatro cortavam o albino, que ainda estava vivo. (...) Depois, foram embora, deixando no lugar o que restou do corpo”, contou Nicodème Gahimbare, procurador de Ruyigi, província situada no leste do Burundi, ao jornal francês “Le Monde Diplomatique”. Há pouco mais de 1 ano, os albinos africanos, principalmente do Burundi, têm sido vítimas de uma caçada sórdida e insensata, baseada na crença de que a brancura extrema atrai todo tipo de poder e, principalmente, riquezas. Em Camarões, no Mali e em outros países do continente africano, atribuem-se forças sobrenaturais às crianças brancas (albinas) filhas de pais negros. “Aqui, na região dos Grandes Lagos, somos considerados os filhos do sol, da fortuna”, explicou Cassim Kazungu, presidente da Associação dos Albinos do Burundi ao jornal francês. “Alguns feiticeiros, principalmente originários da Tanzânia, contam que, se misturarem nossos ossos e nosso sangue em certas poções mágicas, serão capazes de confeccionar amuletos para obter ouro, sorte ou a eterna juventude. Somos assassinados por causa de histórias de feitiçaria”, conclui. Por conta disso, crianças e adolescentes se tornaram alvos de um mercado lucrativo. O cadáver de um albino vale o correspondente a R$ 7.600, em países marcados pela miséria. Nos últimos 2 anos, 60 albinos foram mortos, 30 deles adolescentes.CAÇADOS:









O albinismo é uma doença genética que acontece quando a pessoa herda dos pais genes alterados que não permitem a produção de uma enzima responsável por transformar a melanina no corpo, dando cor à pele e pelos e que protege da radiação ultravioleta. “Se a pessoa nasce com esse erro genético, ela não produz ou produz pouca melanina, o que deixa a pele e os cabelos esbranquiçados e que interfere também na visão






estudo feito por uma organização de pessoas com albinismo nos Estados Unidos, que contabilizou dezenas de filmes que retratam albinos como vilões, psicopatas, paranormais e esquisitos. Mas a coisa vai muito além do cinema. Que o diga a universitária Andrezza Cavalli, de 29 anos. Ela e dois irmãos nasceram sem qualquer vestígio de melanina (pigmento que dá cor à pele) no corpo e nos olhos. Aos 5 anos, eles tiveram de sair de uma escola municipal porque o bullying (agressões verbais ou físicas) estava se tornando insuportável. Conforme foram crescendo, as piadinhas e os apelidos maldosos passaram a incomodar ainda mais. “Já me chamaram de fantasminha, branquela, e acho que a pior lembrança que tenho é a de quando procurava uma vaga de emprego e a atendente me olhou de cima a baixo e disse que eu ‘não tinha o perfil’”, lamenta. E ela não está sozinha. Estima-se que haja um albino a cada 40 mil pessoas no mundo, apesar de existir um portador do gene a cada 100 pessoas. Nos quatro cantos eles sofrem preconceito